Vem Pro Giro - Sábado - 11 JUL/26
Seu giro diário de notícias do voleibol.

Textão em "não tailandês"
Tudo bem, as tailandesas "fofinhas" tinham que ganhar, mas... alguém precisava avisar que o Brasil também tinha jogo hoje.

A derrota para a Tailândia deixou uma mensagem que vai além do placar. No voleibol de alto rendimento, confiança é indispensável, mas ela precisa ser sustentada por desempenho, entrega e capacidade de evolução. Quando a autopercepção de algumas atletas se distancia da realidade apresentada em quadra, surge um desequilíbrio perigoso: o ego passa a ocupar um espaço que deveria pertencer ao trabalho, à autocrítica e ao aprendizado.
O resultado evidenciou que confiança, por si só, não vence partidas. O voleibol recompensa equipes que executam melhor os fundamentos, mantêm a disciplina tática e competem com intensidade do primeiro ao último ponto. Nenhuma dessas características pode ser substituída por uma percepção exageradamente positiva sobre o próprio desempenho. O ego não entra em quadra, não marca bloqueios, não garante uma boa recepção e tampouco transforma um jogo equilibrado em vitória.
Outro aspecto que merece reflexão é a preparação para partidas de diferentes níveis de dificuldade. Em competições internacionais, não existem confrontos fáceis. Equipes consideradas tecnicamente inferiores podem superar adversários tradicionais quando demonstram maior organização, concentração e comprometimento. Quando uma equipe não consegue competir em igualdade nem mesmo em partidas que exigem um desempenho consistente, fica evidente que ainda há um caminho importante a percorrer em termos de maturidade competitiva.
Também chama atenção a diferença de percepção entre atletas e comissão técnica. A experiência proporciona ao treinador um olhar cada vez mais criterioso sobre o jogo. Com o passar dos anos, quem vive diariamente o voleibol passa a identificar detalhes, falhas de execução e limitações que muitas vezes escapam aos olhos de quem ainda está em processo de formação. Esse olhar crítico não deve ser interpretado como excesso de exigência, mas como uma ferramenta indispensável para a evolução da equipe.
É justamente por isso que cabe ao treinador transmitir essa visão às atletas. O crescimento coletivo depende da capacidade de reconhecer imperfeições antes de celebrar virtudes. Equipes vencedoras não se acomodam com aquilo que fazem bem; elas concentram seus esforços em corrigir aquilo que ainda fazem mal. A busca constante pela excelência começa quando todos, da comissão técnica às jogadoras, aceitam que sempre existe espaço para evoluir.
A atuação diante da Tailândia reforça uma lição conhecida no esporte de alto nível: talento sem humildade para aprender dificilmente se sustenta. A competitividade internacional exige menos preocupação com a imagem construída fora da quadra e mais dedicação ao desempenho apresentado dentro dela. No fim das contas, é o voleibol jogado — e não a percepção que cada atleta tem de si mesma — que determina quem vence e quem precisa voltar para a prancheta em busca de evolução.